segunda-feira, 10 de março de 2008







Porque
Amor meu, minhas penas, meu delírio.
Aonde quer que vás, irá contigo.
Meu corpo, mais que um corpo, ira um'alma,sabendo embora ser perdido intento o de cingir-te forte de tal modo Que, desde então se misturando as partes,Resultaria o mais perfeito andrógino Nunca citado em lendas e cimélios.Amor meu, punhal meu, fera miragem consubstanciada em vulto feminino,Por que não me libertas do teu jugo,Por que não me convertes em rochedo,Por que não me eliminas do sistema dos humanos prostrados, miseráveis,Por que preferes doer-me como chaga e fazer dessa chaga meu prazer?
Carlos Drummond de Andrade

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